quinta-feira, 8 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
A gente se acostuma...
A gente se acostuma a morar em apartamento dos fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas e a acender a luz mais cedo.
E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar sobressaltada porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo na viagem. A comer qualquer coisa porque não dá tempo para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A dormir pesado sem ter vivido o dia...
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: "hoje não posso ir"... A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando mais precisava ser visto...
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e necessita. A ganhar menos do que precisa e a fazer fila para pagar. A pagar muito mais do que as coisas valem. A saber que cada vez pagará mais e a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro para como pagar as contas.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial. Às bactérias da água. À contaminação do mar. À morte lenta dos rios. A não ouvir passarinhos, a não ter galo da madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando de uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E, se no fim de semana não há muito a fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.
(Não sei de quem é a autoria do texto, mas é sensacional)
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas e a acender a luz mais cedo.
E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar sobressaltada porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo na viagem. A comer qualquer coisa porque não dá tempo para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A dormir pesado sem ter vivido o dia...
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: "hoje não posso ir"... A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando mais precisava ser visto...
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e necessita. A ganhar menos do que precisa e a fazer fila para pagar. A pagar muito mais do que as coisas valem. A saber que cada vez pagará mais e a procurar mais trabalho para ganhar mais dinheiro para como pagar as contas.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial. Às bactérias da água. À contaminação do mar. À morte lenta dos rios. A não ouvir passarinhos, a não ter galo da madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando de uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E, se no fim de semana não há muito a fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado. A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.
(Não sei de quem é a autoria do texto, mas é sensacional)
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